Ribeira de Esgueira

A ribeira de Esgueira, no sopé do chamado outeiro, era em tempos o local onde se desenvolvia o grosso da actividade ligada à pesca e ao comércio.

O canal que aí existe agora é um dos braços limítrofes da Laguna de Aveiro.

Possui um ancoradouro onde, à semelhança de outros que existem ao longo dos limites da laguna (Mataduços, Paço) permite o acesso para o seu interior de barco.

Este é um local que, estando a dois passos do centro de Esgueira, é ideal para um passeio ao pôr-do-sol..

Proposta Para Um Passeio

Quem caminhar vindo de Olho d'Água, vê o caminho bifurcar-se: seguindo pela direita (estrada asfaltada) segue-se para Mataduços (tendo o canal à sua esquerda); tomando o caminho da esquerda (terra batida) segue-se em direcção a Aveiro (Canal de S. Roque).

Este caminho, actualmente em mau estado devido a falta de utilização, obras, deposição de lixos, tem ainda o inconveniente de ter a auto-estrada (IP5) imediatamente ao lado e o ruído do trânsito que aí circula; mas não deixa de ter o seu encanto.

Calcorreando-o, chega-se ao Canal de São Roque em Aveiro. Aí, pode-se voltar a Esgueira vindo pelas Agras do Norte.

Face ao interesse (e necessidade) de preservar o meio natural e de criar condições para que as pessoas o possam usufruir, por que não criar um circuito pedonal ou ciclovia ao longo deste caminho de modo a ligar a Ribeira de Esgueira ao canal de São Roque? Fica aqui a ideia..

Os canais que já alimentaram de água as salinas aqui existentes, estão agora parcialmente desfeitos; o movimento das correntes e o passar do tempo têm destruído o que, já se sabe, só os cuidados e o suor dos marnotos garantiriam que os mesmos se mantivessem em boas condições. Os palheiros vão mantendo-se de pé...

A IP5, estrada com uma longa história (pelas piores razões), é aqui um ponto de passagem para muitos que, de Verão ou Inverno, procuram em fins-de-semana solarengos as areias da Barra e Costa Nova. O ruído contínuo e com as flutuações características do aproximar e afastar dos bólides em altas rotações, incomoda um pouco, mas, passado algum tempo, por habituação e pelo poder de absorção que a paisagem exerce sobre nós, esquece-se.

Só é pena que de costas para a IP5 continuemos a ter os automóveis pela frente: neste caso são peças soltas (pneus, para-choques, etc.) que pululam pelas redondezas em resultado das constantes descargas de lixos na berma do caminho.

Local de amplos horizontes, mesmo que paredes-meias com aquilo a que chamamos “progresso”, transmite-nos uma sensação de liberdade e paz.

Fonte da Mina vista do outro lado da IP5.

À semelhança do acontece um pouco por toda a zona da laguna, as exóticas dão um colorido e um agradável odor ao ar por alturas da Primavera, o qual contrasta com a sua infestante tendência de ocupar todos os espaços.

Cerca de 1500 metros depois chega-se ao fim do caminho, o qual faz neste local uma inflexão à esquerda passando sob a auto-estrada IP5 e desembocando frente ao Canal de São Roque.

Caminhando pela nossa direita segue-se em direcção a Aveiro; tomando o caminho à esquerda segue-se em direcção ao centro de Esgueira, o qual dista deste ponto aproximadamente 1500 metros.

De permeio passa-se por Agras do Norte, onde se pode observar o que resta de um dos troços da linha do Vouga, o qual era utilizado para o transporte de sal e de cerâmica (produzida em fábrica já não existente) e ainda a Fonte da Mina.

 

 

 

No alto, faça-se um desvio à esquerda para se poder contemplar a paisagem.

(...) encontro-me diante de uma amplidão indefinida, onde a terra e a ria se confundem. É um sonho que se dissolve? Onde acaba a água e começa a terra? Aquelas velas vêm da barra ou do mistério?                                                          in Os Pescadores, Raúl Brandão

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